Dra. Eloíza Quintela

Hepatite C reaparece rapidamente após transplante de fígado


Quando um fígado doente é removido de um paciente com Hepatite C (HCV), os níveis virais no soro caem vertiginosamente. Entretanto, após receber um fígado saudável, os níveis virais aumentam e podem ultrapassar os níveis pré-transplante em poucos dias, de acordo com novo estudo publicado.
A hepatite C é a razão número 1 para o transplante de fígado, entretanto, o vírus sempre reaparece no novo fígado. Como os modelos matemáticos têm sido úteis no estudo da dinâmica viral do HIV e hepatite B, pesquisadores conduzidos por Kimberly A. Powers e Ruy M. Ribeiro, do Los Alamos National Laboratory, no Novo México, utilizaram um modelo matemático para quantificar a dinâmica de reinfecção do fígado com HCV.
Os pesquisadores, em colaboração com uma equipe de cirurgiões conduzida por John McHutchison, agora na Duke University Medical Center, acompanharam 6 pacientes infectados com HCV que receberam transplante de fígado. Eles coletaram amostras de sangue antes, durante e depois do transplante para avaliar as mudanças nos níveis de HCV RNA, que foram medidos usando ensaio de reação em cadeia de polimerase de transcripção reversa. Eles então inseriram os dados no modelo matemático, corrigindo o balanço de fluido e analisaram os resultados usando regressão linear.
Os autores relatam que na maioria dos pacientes, os níveis de HCV RNA decresceram rapidamente durante e depois do transplante e, em poucos  dias, esses níveis começaram a aumentar e somente um paciente não ultrapassou os níveis pré-transplante. Eles descobriram que quando o fígado doente era removido, os níveis virais caíram com uma meia-vida de 48 minutos. Depois que o novo fígado era implantado, os níveis virais continuaram caindo nas próximas 23 horas e, então, começaram a aumentar, dobrando a cada dois dias.
Particularmente, em três pacientes, os níveis virais atingiram um platô antes de aumentarem, sugerindo que "uma fonte não-hepática forneceu virions e equilibrou esses níveis". Os autores estimam, entretanto, que as fontes não-hepáticas sejam responsáveis por apenas 4% da produção viral total. Noventa e seis porcento ocorrem no fígado.
Os padrões de declínio e aumento da viremia observados neste estudo são consistentes com estudos anteriores, embora este estudo indique uma meia-vida do virion menor do que sugerido anteriormente. As descobertas também suportam a noção que o HCV pode se replicar rapidamente do paciente imuno-suprimido pós-transplante, levando os autores a sugerirem que a terapia antiviral inicial pode retardar ou prevenir a reinfecção.
O estudo foi limitado pelo pequeno número de pacientes e um modelo isolado, que não levou em consideração locais de replicação viral no f ígado e fora dele. "Entretanto, o rápido declínio do HCV RNA na fase não-hepática, seguido pelo aumento pós-operatório observado em vários pacientes, sugere que o fígado é o local principal da replicação viral e, no máximo, uma pequena contribuição de locais fora do fígado.
Concluindo, escrevem os autores, "o trabalho continuado para elucidar a replicação extra-hepática, o tempo de reinfecção, os efeitos da terapia imuno-supressora e as relações entre viremia, infecção e dano no fígado, será benéfico na otimização do tratamento de pacientes com HCV e que vão fazer transplante de fígado".


Fonte: Liver Transplantation